sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Sobre músicas foleiras que dizem quase tudo #3

O que me leva a escrever nem é uma música foleira mas já lá vamos.
Já sabem que a minha noção de música não foleira é minha e não vos censuro de gostarem daquilo que aqui aponto como sendo foleiro, da mesma forma que espero que não me atirem pedras por chamar foleiras a essas mesmas músicas.
Adiante...

Existe esta música da Nelly Furtado, All Good Things, que diz:

"Flames to dust
Lovers to friends
Why do all good things come to an end (?)"



É uma boa pergunta.

Hoje, a ver a letra de uma música que já tinha ouvido sem prestar grande atenção às palavras, fiquei a pensar na questão das relações e do amor.
Quando o amor acaba, acaba porquê?
Como?
Se gostávamos de alguém, se gostamos durante tanto tempo, para onde se evapora esse amor que antes estava dentro de nós?!

A música era esta






Ainda agora toca na minha cabeça.
E a questão permanece.












sábado, 6 de setembro de 2014

Epifanias e TPM



Ontem ouvi esta no trabalho.
Quase que se me vieram as lágrimas aos olhos.
O que foi já não volta a ser e o que é, não sei se alguma vez o será.




segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Felicidade é...

...deixarmos de ser eu e tu e passarmos a ser nós.
É ser estranho mas bom, ouvir-te dizer assim.
Nós. Nosso. Nossa.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

True Story

Quando me canso de ouvir as pessoas chamarem por mim, digo-lhes que se acabou  o Maria e que o meu nome agora é Fofinha.
Resulta.
Chamam-me Fofinha e eu fico mais feliz.





sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Fuck Yeah

A semana passada ganhei 8 euros no Euromilhões.
Nunca tive grande sorte.
Em 31 anos de vida, nessa coisa de passatempos, jogos da sorte ou sorteios, ganhei um passe para o Super Bock Super Rock ( onde só fui um dia); ganhei o que, acumulado nem a 50 euros chega, no Euromilhões; uns outros 50 no Casino; uma T-shirt do Gary Jules... e acho que foi isso.

Participei em algumas coisas só por descargo de consciência. Porque se não participasse é que não ganhava mesmo nada.

Este ano houve um concurso interno na minha empresa. Coisa básica, cujo prémio seria uma viagem às Canárias, 2 noites tudo incluído.

Participei.
Era só dar uma opinião, com escolha múltipla, sobre um artigo que nos foi oferecido para esse efeito.
Participei.

Ganhei.

Ainda não estou em mim, e quando me telefonaram a dizer pensei que estivessem a gozar comigo.
Não consigo acreditar.

Eu, que me queixava com 30 anos, que nunca tinha saído do Portugalex, que nunca imaginaria sair daqui, sinto-me uma gaja cheia de sorte por ter um namorado que puxa por mim para viajar e que agora posso eu levá-lo a passear a custo z e r o.

Caramba.
Vou só ali ao Casino a ver se a sorte mudou...

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

A juventude de hoje e cenas afim

A juventude de hoje em dia causa-me "espécie".
É certo que os tempos são outros e também já os meus pais diziam que no tempo deles é que era.
Sou a filha do meio.
Quando vim ao mundo já cá andava a minha irmã, 3 anos e 3 dias mais velha que eu. Aos 9 anos ganhei um irmão.
Fui a mais nova durante 9 anos. A filhinha do papá, a que saltava para o colo dele mal ele chegava do trabalho, lhe sacava o pente que ele sempre trazia no bolso da camisa, e lhe penteava o cabelo.
Nunca me senti mimada mas acho que a minha irmã se sentia renegada.
Com a vinda do meu irmão, também nunca tive ciúmes.
Sempre existiu para todos. Comida nesta casa nunca faltou, mas nunca fomos mimados com brinquedos e outras coisas.
Ganhávamos roupa nova duas vezes ao ano: na Páscoa e no Natal.
Agora que escrevo, lembro que o meu irmão sempre foi o mais mimado de todos, por ser o filho macho.
Sempre tive medo de pedir um biscoito à minha mãe e quando nos portávamos mal, como castigo, ela não nos deixava lanchar, impedindo-nos de barrar o Tulicreme nos papos secos que comprava todos os dias.
Tive 2 barbies em toda a minha infância, que sempre estimei e que era suposto colocar aqui uma foto, não tivesse a minha achado que com 20 anos já não quereria saber delas e não as tivesse dado à neta da vizinha.
O meu irmão sempre berrou que queria uma Playstation. Nunca a teve. Não morreu.
Comprei o meu primeiro telemóvel, já devia ter uns 17 anos, com dinheiro que ganhava através da escola profissional.
Não morri por toda a gente já ter uma telemóvel e eu não.
Sempre tive telefone em casa e antigamente as pessoas compareciam à hora marcada no local marcado.
O computador de onde vos escrevo é meu. Comprei-o eu. Paguei-o eu, há 6 anos trás. Já lhe falta um tecla, não pensa lá muito rápido mas já me fez ser DJ por duas noites e ganhar 30 euros por isso.
A carta de condução fui eu que paguei.  Custou-me os olhos da cara e serve só para fazer volume na carteira.
A minha irmã pagou a dela o meu irmão talvez veja a dele paga pelos meus pais. Não me interessa, é lá com eles.
Comecei a trabalhar aos 19 anos.
Tive um ano na Faculdade, quando já tinha uns 25 anos e fui eu que paguei as minhas propinas.
Sai duas vezes de casa para ir morar sozinha e nunca vi dinheiro dos meus pais entrar na minha conta, mas não passei fome e eles também não permitiriam isso.
Não usei aparelho nos dentes. Ando a tratar disso e sairá do meu bolso o dinheiro para endireitar a cramalheira.

Ora, com isto tudo, o que quero dizer é que a juventude de hoje está muito mal habituada.
Vejo colegas minhas a quererem oferecer tabletas a crianças de 9 anos e Iphones de 400 euros a adolescentes de 12.
Com 16 a malta já quer ir para o Sudoeste.
Saem à noite com 14 anos em trajes que não lembra a ninguém.
Têm tudo pago sem se preocuparem de onde sai o dinheiro.
Não interessa que os pais não estejam em casa, o que interessa é que no fim de semana a mãe tenha tempo de ir ao Colombo à Primark.
A malta quer coisas e mais coisas.
Exigem aos pais que lhes satisfaçam todos os desejos e caprichos " Porque a Maria tem e eu não...Oh mãe, vá lá!"

E os pais dão, para os calarem, consentem porque já têm a cabeça cheia de outras coisas e estão fartos de os ouvir. Porque  a sociedade é cada vez mais exigente e se A tem B também tem de ter para se sentir incluido, para não ser vitima de porrada na escola ( isso tem um nome chique agora), e porque mais um série de coisas.

A juventude exige sem saber o trabalhão que dá ganhar o dinheiro.
Vão sendo mal habituados. Mimados.
E depois o que vamos tendo são jovens exigentes, mal educados e com o rei na barriga.

No meu tempo pedíamos pouco, ganhávamos pouco, era-nos ensinado o valor das coisas.
Sobrevivi sem metade daquilo que queria, porque o essencial sempre tive: comida, uma cama para dormir, uma casa, roupa lavada e apresentável, mesmo que não fosse a última moda da Bershka.
Aqui estou a eu a saber que o dinheiro custa mais a ganhar do que a gastar. Que o esforço que os meus pais fizeram por nós o 3 foi imenso e que lhes dou grande valor por isso, porque por me terem dito que não muitas vezes, ensinaram-me que se eu quiser ter tenho de ser eu a ganhar para isso e que com isso darei maior valor às coisas.

Temos que certos valores se estejam a perder.
E se tenho vontade de trazer ao mundo uma criança é muito pela ânsia de lhe ensinar valores que julgo perdidos nesta sociedade consumista que existe nos dias de hoje.







Este texto não faz lá grande sentido, mas pronto, a isso já vocês se habituaram.









segunda-feira, 28 de julho de 2014

Os meus amigos

Os meus amigos são gente cheia de teorias e constatações interessantes.
No Sábado festejámos o aniversário da Maria.
Entre palhaçada e conversa sobre lesbianice, a conversa terminou com a Maria a rematar:

" Por mais que os homens sejam desapontantes, pila é pila."


E é isto.
Há alguém que tenha interesses diferentes e que queira contra argumentar?

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Que o bronze esteja convosco

Também gosto de recomendar coisas e ao contrário de muito blog que para aí anda, nada ganho com isso.
Recomendo infinitas coisas que resultaram bem comigo à malta lá do trabalho e hoje decidi vir aqui e recomendar-vos os melhores after-suns que podem existir.

Vocês não sei, mas eu sou meio pobre e compro as minhas coisas de cremes e cenas de gaja num super ou hipermercado qualquer.

O melhor que podem fazer para ter um bronze bonitinho, ou passar de lagosta a "meia de leite" é usar isto:

Vasenol, desde 5 euros e pouco.


ou isto:

Palmers, mais caro, cerca de 7 a 9 euros.

Pois que, aplicar um cremezito de cacau depois de um dia de praia e banho tomadito é meio caminho andado para desfilarem por aí com uma pele morenaça durante algum tempo.
Não suja a roupa e hidrata a pele.

O primeiro que descobri foi o da Palmers mas acho que de momento prefiro o da Vasenol, não só por ser mais baratinho mas por ser menos espesso e mais fácil de ser absorvido e espalhado na pele.

Agora ide lá torrar ao sol.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Das coisas que tenho saudades por já não morar com os meus pais

Não é da roupa lavada e passada a ferro ou de ter a casa limpa.
Não é da comida e de não ter de lavar a loiça.
O que tenho mesmo saudades, de não ter a minha mãezinha por cá, é do pão fresco todos os dias; da fruteira cheia e das flores em cima da mesa.

Hoje comprei flores.
Estou feliz.




segunda-feira, 30 de junho de 2014

Conduzir

Tenho a carta de condução há 10 anos.
10.
Caramba, como o tempo passa.
Nunca conduzi depois de ter a minha licença para tal.
Nunca tive necessidade e agora se tivesse via-me à rasca.
Mas este fim de semana tudo mudou.

Fomos a Amesterdão e vi-me a conduzir uma bicicleta.

Agora é a parte em que vocês se riem e dizem que andar de bicicleta é para meninos e não tem nada a ver com conduzir um carro.
Pois é.
Concordo com isso se a coisa for feita ali pós lados do Parque das Nações onde não se apanha carro nenhum e o passeio é todo nosso, agora conduzir uma bicicleta em Amesterdão tem toda uma outra ciência.

Quem já lá foi sabe do que falo, quem nunca nunca lá foi devia ir e andar de bicicleta pela cidade para vir para cá e ser um "pro" a andar no trânsito.

Não cai, não bati em ninguém mas tive medo, muito medo.
Fui mais esperta que o babe e soube logo como travar uma bicicleta que à primeira vista parecia não ter travões.
Custou muito apanhar o jeito à coisa, não fazer figuras tristes e tentar passar despercebida numa cidade especialista em veículos de duas rodas mas agora tenho saudades da minha Bicla, de lhe meter o cadeado e de lhe fazer tocar a campainha.
Maldita Lisboa das 7 colinas, porque não podes ser tu plana para poder ir para o trabalho de bicicleta, para poder ir às compras e carregá-las na parte de trás da minha bicla?!

Este fim de semana soube o que era andar no meio do trânsito, soube o que era parar no semáforo vermelho, deixar passar quem se atravessava no meu caminho sem meter os pés no chão e ser respeitada pelos peões como se fosse ao volante de um camião tir.

Foi o melhor de tudo.




quinta-feira, 26 de junho de 2014

O stalker cá do bairro

Quando vou ter com o babe a casa dele, desço a minha rua para ir lá no fundo apanhar um Bus que me deixa pertinho do meu destino.
Foi lá que conheci o stalker cá do bairro.

A primeira vez chovia e aqui a Maria colocou-se à porta de um prédio para se abrigar, mesmo com o chapéu de chuva aberto.

Um senhor, muito simpático e bem apresentado, passou e cumprimentou-me.
Depois sai-se com um: " Ah, desculpe. É que é mesmo parecida com uma amiga minha. Mas pronto, boa noite na mesma."

Hoje sei que foi por estar a chover que se meteu a andar e não fez mais conversa.

A 2ª vez que me encontrou foi pior.

Lá estava eu de volta à espera do Bus, que se demorou, enquanto ele falava e falava comigo sobre coisas da vida e me dizia que eu era muito bonita e outras tantas tretas. Já não se lembrava de mim e para meter conversa usou o mesmo: " Ah, é que se parece mesmo com uma amiga minha."

Depois de 30 minutos, foi-se, para meu grande alivio, porque se há coisa que detesto é conversas com estranhos.

Ontem, enquanto esperava pelo bus, vejo-o vir e pára a falar com uma senhora que ia entrar para o seu carro.
Quando o reconheci comecei a andar para ver se ele não dava por mim e nisto vejo-o a atravessar a rua e a vir já na minha direcção.
Abençoado autocarro que apareceu no momento exacto em que ele se aproximava de mim.
Ouço-o dizer: " Ah, já lá vem." e seguiu o caminho dele.

Já dentro do bus meti-me a olhar para trás para ver para onde ele ia.
Vejo uma senhora a atravessar a estrada e vejo-o a ir de encontro à senhora.

O stalker cá do bairro mete-se com tudo o que é mulher.
É sempre simpático e amável, muito educado e bem apresentado, mas tem um problemazito.
Ontem percebi isso, porque em menos de 15 minutos o senhor quis meter conversa com 3 mulheres.

Tenho medo.



quinta-feira, 19 de junho de 2014

Sabes que já não vais para novo quando...#2

... os adolescentes de hoje se referem a ti por "senhora" ou te tratam por você.


Mas sentes que ainda nada está perdido quando as "velhinhas" te chamam de menina.



domingo, 25 de maio de 2014

sábado, 24 de maio de 2014

Thank U for the music #7

Uma garrafa de vinho e a tecla " o " do computador que está sempre a sair: isto vais sair bonito.
Mas cá vai.

The National.
Ainda eu namorava com o António, há uma vida atrás, e já ele queria impimgir isto aos meus ouvidos.
Não me entrou.

Quando voltei a Lisboa e conheci gente nova, essa nova gente que hoje tenho como amigos, voltaram a querer-me impingir The National.
Lançavam eles o 3º álbum, acho. Aquele que tem aquela música que toda a gente gosta e nem sabe que The National não é nada disso, a Bloodbuzz Ohio.

Não sou de conhecer uma banda e ouvir o que já fizeram antes daquele albúm que primeiro conheci, mas com estes meninos foi diferente.
Ouvi tudo que estava para trás.
O Chico passava a vida a falar de uma música deles: " Ehhh, é tão forte a música. Tem um letra tão forte. Tens de ouvir."

De inicio não achei a música grande coisa, não lhe tirei grande história.
Mas a certa altura da minha vida, por algum acontecimento que agora não sei precisar, soube "ver" a música com outros olhos e ouvir a mensagem que ela transmite.

Hoje o Chico publicou esta música no Facebook.
Com quase uma garrafa de vinho no sistema, deu-me para falar sobre ela, sobre a minha história com os The National, que já vi uma vez ao vivo.


Ora atentem à letra e tirem as vossas conclusões.






Did you clean yourself
for me last night
put the water out
and donned a marigold
in your hair to bring me here
and tie one on you
did you dress me down
and liquor me up
to make me last for the minute
when the red comes over you 
like it does
when you're filled with love 
or whatever you call it 
do you feel alone
when I'm in my head
while you wait for me
to take my breath
do you still feel clean
when the only dirt
is the dirt I left
how can you blame yourself 
when I did everything I wanted to
you just made yourself available
you just made yourself available

why did you dress me down
and liquor me up 



segunda-feira, 12 de maio de 2014

Acerca deste blog

Estava ali a fumar um cigarrito e lembrei-me de vir aqui escrever umas palavritas.
Este blog surgiu do nada.
No dia em que decidi sair rua para pintar o stencil, achei que devia criar um blog só porque sim.
Acho que foi mais para relatar o que aconteceria depois de ele o ver...só porque sim.
No fundo, este blog nunca teve propósito nenhum. Era para mim e continua a sê-lo.
Jamais, no dia em que o criei, podia imaginar que o stencil teria o impacto que teve, jamais imaginaria que ia aparecer numa revista ou que iria pintar um vidrão, ou todas as outras coisas que fiz ou vivi por ter criado o stencil.
Daí que este blog nunca tenha tido um propósito e acho que, passados 2 anos, ainda não tem.

O fantástico disto tudo é que vocês o lêem.
Sei bem que em grande parte são pessoas que me conhecem que aqui vêm.
Mas sei também que outros que nunca me viram, gastam um tempinho a vir aqui e ler as baboseiras que escrevo.
Isso é fenomenal.

Hoje apeteceu-me agradecer-vos.

Obrigada.




Sobre músicas foleiras que dizem quase tudo #2

Ora bem, eu já conhecia Shania Twain de trás para a frente, cortesia da moça que toma conta de um café lá na minha aldeia e obrigava o pessoal que frequentava o café a ouvir em repeat, durante as férias de verão,  o best of da Shania.
Já conhecia tudo e detestava tudo, mas o meu rádio só apanha a M80 e a Shania passou a fazer parte da minha vida outra vez.
De tanto ouvir a mesma música dela, cheguei à conclusão que me diz mais agora do que me dizia há coisa de 10 anos atrás.

A música diz que:

"They said, "I bet they'll never make it"

E depois:

"We beat the odds together
I'm glad we didn't listen 
Look at what we would be missin' "


Alguém que faça uma cover jeitosa desta música, que eu já me vejo num vestido de noiva a entrar numa igreja ao som destas palavras ( e não, não estou a gozar, falta é que ele queira casar.)

Meu fofinho, a música é foleira, mas vê, diz muita coisa bonita.


"You're still the one that I love
The only one I dream of 
You're still the one I kiss good night "


E acima de tudo:


"I'm so glad we've made it
Look how far we've come my baby "




sexta-feira, 9 de maio de 2014

Vulgar

Entrei no autocarro com o meu irmão.
Sentei-me antes dele, a meio do autocarro, porque ele perdeu-se a tirar bilhete com o motorista.
Quando se despacha e se dirige para meio do veiculo para se sentar comigo, fica de pé como se não me estivesse a ver, mesmo ao meu lado. Quando me vê solto-lhe um: " Então pah?" 
Responde-me: " Que queres? Tu és vulgar."

Sou vulgar.
Eu.

Vou pintar o cabelo de vermelho e fazer uma permanente.

Pode ser que da próxima ele dê logo por mim.
O meu irmão.




sexta-feira, 25 de abril de 2014

Sobre o 25 de abril

Aqui há tempos conheci um francês que me perguntou sobre Salazar.
Já não me lembro muito bem como foi a conversa e como é que ele me perguntou sobre Salazar, mas lembro-me de lhe dizer que os "velhos" sentem muito a falta dele, ao que ele me respondeu que quando esteve em Espanha também se deu conta que os "velhos" espanhóis sentem a falta de Franco.

O 25 de abril foi há 40 anos.
Eu tenho 30. Já nasci num país livre portanto não sei como era viver num país cheio de restrições.
Nunca perguntei ao meu pai como foi. Nunca tive esse interesse mas este ano, talvez pelas comemorações estarem a ser diferentes ou por eu estar diferente, tenho curiosidade em lhe perguntar como foi viver antes, durante e depois da Revolução.

Mas o que me leva a escrever aqui são os "velhos" e a sua saudade de Salazar.

Ouvi mais que uma vez e mais que um dos "velhos" a dizer " Volta Salazar!" ou " No tempo de Salazar é que era".

Não percebo muito de história. É uma pena. Portanto tudo o que aqui dizer pode estar errado, mas aqui há tempos li alguém comentar que, os velhos querem Salazar de volta porque na pré revolução o país tinha uma situação económica mais estável.
Esquecem-se que não tinham Liberdade. Preferem um boa situação económica à Liberdade que hoje têm.

Não consigo entender.

Eu também gostava que a o sistema económico neste país funcionasse melhor mas trocaria a Liberdade que tenho para me vestir como quero, fazer o que quero, da maneira que quero, pensar como quero e poder dizer o que penso em voz alta, por uma situação económica mais estável.

Os "velhos" não apreciam a Liberdade que lhes foi dada. É só isso que posso pensar.
Querem Salazar de volta.
Mas são esses "velhos" que se rebarbam todos a olhar para um mulher de decote e saia curta e dizem à boca cheia que " Salazar é que era" quando na época de Salazar nem sequer podia manifestar preferências politicas em voz alta com medo que viesse logo alguém atrás deles.

Se hoje podem dizer à boca cheia que "Salazar é que era" é porque existe Liberdade.
Se podem olhar rebarbados para uma mulher de decote e saia curta é porque existe Liberdade.
E mais uma série de coisas que não me lembram porque como disse, não percebo de história e não fiz pesquisa para escrever isto.
Perdoem-me.

Os "velhos" que viveram o 25 de abril de 1974 querem Salazar de volta.
Eu nasci depois.
Prefiro continuar a ter Liberdade, apesar de me sentir roubada pelo Governo todos os dias.
Mas por ser Livre, pude escrever isto.
Por ser livre, posso-me manifestar.

Viva a Liberdade!
E um bem haja a quem fez com que eu pudesse nascer num país assim.


quinta-feira, 24 de abril de 2014

Memórias Fotográficas #1

Acho que foi quando viemos de Espanha, faz agora um ano, que a mim, chateada por não termos fotos porque perdeste a máquina fotográfica, disseste :

" Está tudo aqui.", enquanto me tocavas na cabeça.

As melhores fotografias são aquelas que guardamos connosco.
O papel é papel. Os ficheiros que guardamos no computador ou em cds são apenas para nos recordarmos que estivemos ali ou fizemos isto e aquilo.
O mais importante está sempre dentro de nós e não precisamos de uma fotografia para lembrar.
Começo a acreditar que as fotografias só servem para provar aos outros que estivemos aqui ou que fomos ali.
Nós carregamos connosco um álbum imenso de fotografias, de bons e maus momentos.

Carrego comigo o dia em que fomos para o aeroporto de Bruxelas dormir.
O voo para Lisboa era cedo e disseste que era estúpido pagar para dormir poucas horas e que conseguíamos dormir no aeroporto "na boa".

Fomos.

Depois de andarmos pelos corredores, subirmos escadas ou deixar antes que as escadas nos subissem, chegámos a um corredor enorme com passadeiras automáticas.

Já na chegada tinha achado piada a um anúncio publicitário da Cofely que passava numa das paredes desse corredor.
Enquanto era transportada pela passadeira, ria-me sozinha a olhar para o anúncio, e nisto tu andavas e já ias bem mais à minha frente.

Quando a música do anúncio ficou lá longe e ainda havia passadeira para andar, dou conta que esta música tocava, ao mesmo tempo que te vejo andar ao sentido contrário do sentido da passadeira, a vires na minha direcção.
Deste-me um beijo.
E percorremos o resto da passadeira juntos.






O que tu não sabes é da perfeição que ainda hoje encontro naquele momento e que a vida tão depressa não vai tirar esta memória de dentro de mim.